Existem estrelas infindáveis, multiversos que se cruzam em estranhos pontos cósmicos, os tais buracos de minhoca, e buracos negros com gravidades absurdas. Há um paradoxo, do qual não me lembro bem, que questiona o fato de haver noites quando o brilho dos astros é muito superior à escuridão. E eu ficava pensando que realmente é complexo que o mundo seja um breu a maior parte do tempo, mesmo com tantas estrelas. Fico meio pessimista quando penso assim.
Comecei a me interessar por astronomia quando meu pai faleceu. Mamãe disse que ele foi pro céu e eu resolvi procurá-lo. Levava uma cadeira pro quintal e ficava ali olhando as estrelas e me encantando por esse mistério fabuloso que é o espaço sideral. Gostava de imaginar meu pai morando entre estrelas, cercado por anjos, harpas etc. Mas isso foi antes de eu conhecer o paradoxo que eu falei. Paradoxo de Olbers. Esse paradoxo também pontua que a escuridão é a prova da finitude do universo.
Pra mim, a escuridão é a prova da finitude de tudo. A gente fecha os olhos quando morre e tudo é escuro. A gente apaga as luzes e tudo é escuro. O Olbers era um cara alemão. Eu imagino que ele deva ter sido um cara bem triste pra se contrapor à teoria do infinito. Ou bem rebelde. Não é mágico pensar que o céu é infinito? Um universo imenso e estático. Olbers ia contra isso. Se o universo é escuro, ele acaba. O Paradoxo de Olbers sustenta também a teoria dos multiversos.
E meu pai mora no céu. E o universo é tão escuro que nem a soma do brilho de todas as estrelas é capaz de iluminá-lo. O homem inventou a luz, mas não a escuridão. Não temos desiluminadores como no Harry Potter, mas temos luminárias. A escuridão é mais natural do que a luz. Isso tudo me dá muita vontade de chorar.
Olbers deve ter sido um cara interessante. Ele conseguiu viver até os 81 anos sabendo da supremacia da escuridão sobre a luz. Eu adoraria falar com ele. Eu adoraria saber o que ele fez pra suportar o peso desse paradoxo.
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