Meu peito ardia. Meus olhos brilhavam lubrificados por lágrimas. Se não fosse meu esforço, minhas mãos estariam tremendo. Escondi minha dor e virei a cabeça pra janela. Era madrugada e a cidade inteira dormia. O céu vestia-se de um azul profundo bordado com milhares de estrelas. Foi nesse momento, pequena epifania que vez ou outra a vida nos concede, que eu percebi que ninguém jamais nos ama por completo. Ninguém nunca vai nos amar em todos os nossos detalhes. Ninguém vai amar toda a nossa história ou nossas cicatrizes. Não importa o quão verdadeiro seja o “eu te amo”, ele nunca se bastará. Ele nunca será inteiro. A única pessoa capaz de nos amar por completo é essa parte consciente que reside dentro de nós. Mas o nosso amor também não basta. Mesmo nos amando com tudo que podemos, nunca conseguiremos amar até nossos defeitos. Conhecemos o Jekyll e o Hyde dentro de nós. Podemos até gostar da existência do Hyde, mas nunca vamos amá-lo por completo.
Todos nós somos um universo. Não somos apenas parte constituinte do mundo, como ele também reside em nós. Carregamos um mundo inteiro dentro do peito. Apesar de ser óbvio que a alma é como um céu noturno, nem todas as pessoas vão querer encarar o nosso céu. Talvez porque ele pareça nublado ou porque exista tantas luzes artificiais que não é possível contemplar as estrelas.
Mas, algumas pessoas vão querer ver as nossas estrelas. E essas são as pessoas que nos amarão. Só que é preciso lembrar que aqueles que têm capacidade de ver as estrelas, também podem (é claro, se tentarem com afinco) ver os nossos buracos negros. E não importa o que digam. Ninguém ama buracos negros. Ninguém ama todos os nossos medos e outras coisas escuras que se escondem sob um sorriso.
“Você ficou triste?”. Parei de olhar o céu e percebi que sempre estivera triste. Durante toda a minha vida eu sempre soube que chegaria o momento que eu perceberia que o amor não é tudo. Só não havia concretizado essa ideia.
“Eu estou bem.” Menti. Eu também não era capaz de amar seus buracos negros.
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