Tinham lá suas desavenças. E essa é, talvez, a característica mais importante de sua amizade. Eram pólos distintos, mas, como já dita a física, cargas opostas se atraem e, por isso, não conseguiam ficar longe uma da outra. Uma era crua quando devia ser amável. A outra conservava seu bom coração até nas piores situações. Mas a verdade mesmo é que por dentro - no solo do buraco que todos carregamos dentro de nós - elas eram iguais.
Possuíam os mesmos sonhos bizarros, a cabeça que insistia em planar nas nuvens, os pés pesados demais para que pudessem deixar o chão. Tinham amigos maravilhosos e uma tendência enorme à melancolia e à tragédia.
Carregavam um romance dentro do peito que um dia haveria de ser escrito. Derramavam todas suas dores sobre folhas de papel em branco e sonhavam com um amor que durasse a vida inteira e mais um dia. Tinham medo da solidão, mas quase sempre se enclausuravam em si mesmas.
E uma acreditava na outra. Bom, pensando agora, esse sim é o aspecto mais importante do amor que as une. Tinham uma fé cega nos sonhos uma da outra. Se amavam do jeito que só irmãos sabem amar: uma mistura tão sútil que era difícil saber onde terminava a raiva e começava a graça.
Só que eu acredito que esse tipo de amor é um dos mais bonitos. E (eu desejo às estrelas) um dos que mais duram.
Parabéns, Lullaby.
Peggy
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