Te vi esses dias andando sozinha no centro. Acho que você parou no tempo, porque mesmo anos depois, continuava a mesma... O cabelo curto e revolto, os olhos tristes e a cabeça baixa. Não queria que fosse assim. Queria te ver e perceber que você mudou, até mesmo queria te ver com um outro cara, que estivesse segurando sua mão e te fazendo mostrar a maravilha que é o seu sorriso.
Não queria que fosse assim, que sua presença fosse tão familiar a ponto de me fazer querer correr ao seu encontro e te dar um beijo, como se nada tivesse mudado, como se nossas vidas não tivessem se separado.
No entanto, sua presença súbita, tão fiel ao passado, tão irreal me estagnou. Acho que mesmo que minhas pernas respeitassem meus comandos, eu não teria ido até você naquela hora. Não queria cometer essa injustiça. Não queria te mostrar o quanto mudei, não queria que no meio da conversa tímida e constrangida que iríamos travar você notasse a aliança dourada em minha mão. Não queria também ter que perguntar da sua vida e responder sobre a minha ou ainda tratar de superficialidades que não condizem com a intimidade do nosso passado.
E, acima de tudo, não queria confirmar minha hipótese e descobrir que você realmente parou no tempo. Tive medo de perceber, durante uma conversa ou só mesmo um "oi" de longe, que você ainda é a mesma garota que fiz chorar numa quinta-feira enquanto dizia que ia embora porque não via um futuro ao seu lado. Temi descobrir que essas lágrimas nunca pararam de cair. E quis morrer ao pensar que você poderia estar dizendo a verdade quando disse que eu era o amor da sua vida.
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