domingo, 27 de maio de 2012

Coração na mão

Coração na mão.
Ele vem andando lindo, como sempre. Me pergunto se haverá algum dia em que eu o ache feio ou, no mínimo, menos bonito. Como quase sempre, ele vem de cabeça baixa perdido entre os papéis da faculdade, com os óculos um pouco caídos sobre o nariz. Ele não levanta a cabeça, mas fico feliz de lembrar que tenho intimidade suficiente para chamá-lo se ele passa muito perto de mim. Ele sempre fica meio desnorteado, até perceber de onde veio a voz que o chamou. Então ele vê e sorri. É um dos sorrisos mais bonitos que eu já vi. Efusivo como ele é, não aceita “ois” dados a longas distâncias, tampouco acenos, então vem até mim e me abraça, dá um beijo em uma das bochechas. Pergunta, por cortesia e não por interesse, creio, como estou. Nos falamos durante um minuto, por aí. Então ele vai embora.
Eu fico o observando disfarçadamente até ele sumir do meu campo de visão.
Coração na mão.

Em suas mãos.

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