Só hoje fui me dar conta de que o seu lado da cama
não voltará a ser preenchido por você. Independente das minhas desculpas e
tentativas de ter de volta, você não vai voltar. Agora, talvez tarde demais, eu
compreendo o medo súbito que me tomou quando você disse que estava indo, mas
planejava voltar. Já naquela hora eu sabia, não sei como, talvez digam que é
Deus ou um pressentimento de quem ama, mas eu já sabia que você não voltaria. E
mesmo assim eu não fiz nada. Te pedi pra ter cuidado e te deixei ir.
Voltei pra cama pensando que mais tarde você
chegaria me pedindo desculpas pelo drama e dizendo que nós faríamos dar certo,
porque nós éramos assim mesmo, não é? Vivíamos brigando, mas sempre nos
arranjávamos no final.
Não me assustei no dia seguinte quando vi que você
ainda não tinha voltado. Admito que aproveitei a situação pra dormir mais um
pouco, afinal você não estava ali pra me acordar e me chamar pra dar uma volta
no parque. E, assim como todos os outros dias que acordei sem você, eu pensei: "essa
madrugada ele volta, ele sempre volta". E por saber que você tinha as
chaves e não bateria na porta, eu não fiquei na sala te esperando tocar o
interfone. Nem mesmo me empanturrei de doces como em toda boa fossa, não ouvi
meus CDs antigos ou procurei nossas músicas.
Eu achei que você ia voltar. Porque eu me recusava
a acreditar que aquela coisa que eu senti quando te vi indo embora fosse
verdade.
Mas aí hoje eu acordei e percebi que já fazia quase
um ano que você tinha ido embora. Você não tinha ligado, não tínhamos nos
esbarrado na faculdade, tampouco nos encontrado durante as noites no centro
(talvez porque em todo esse tempo, o máximo que eu tenha encarado tenha sida um
barzinho com as amigas).
Pensei que eu devia começar minha dieta à base de
doces e madrugadas com Adele como trilha sonora. Peguei um pedaço de torta de
sorvete e percebi que não fazia sentido. Já tinha passado, sabe? Não doía como
devia. Eu tinha me acostumado tanto a ficar bem enquanto esperava você voltar,
que não era mais possível ficar mal por você não voltar. Sinto muito por nós
dois, isso é óbvio, mas acabou, não é? Foi melhor assim.
Abri as janelas, tirei suas coisas do armário e
coloquei numa caixa lá embaixo. E quanto ao seu lado da cama, bem, agora ele
não é mais seu. Tenho uma cama inteira pra mim.
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